"Que riso perto, que aflição distante
que ínfima débil, breve coisa nada
iça, ao fundo, essa draga carburante
rasga, revolve e asfalta a subterrânea estrada?"
Os versos acima fazem parte do poema Suspensão Coloidal, do poeta lusitano António Gedeão. Conheci sua obra na época da minha faculdade e me apaixonei tanto que fiz meu mestrado sobre ele.
Essa expressão, "breve coisa nada" sempre me impressionou por sua precisão de ligeireza, nulidade, generalidade, algo tão "coisinha", aparentemente tão insignificante... mas que a "draga carburante" consegue içar lá no fundo, deixando rasgos e refazendo a estrada.
O título, assim como o blog, existe há mais de dez anos! Tive a ideia em uma conversa com Edu sobre nossos prazeres ao escrever e como sentíamos que tínhamos coisas a dizer... Mas, naquela época, também tínhamos um bebê novo e o projeto blog foi para o espaço - ou para algum lugar na minha conta do google que prontamente o ressuscitou assim que eu me sentei hoje e disse "vou colocar meus textos em um blog!" Tão logo abri o blogspot apareceu lá "breve coisa nada" e não tive dúvidas sobre manter o título.
As breves coisas nadas são, em geral, as mais intensas, as mais importantes e significativas.
Fica, então, explicado o título de um blog na era do tiktok, uma resistência entre vídeos e recursos bem mais avançados. Na sua simplicidade, "breve coisa nada" taí.
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